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PRÊMIO FEMSA

A Cia. Lona de Retalhos recebeu dois prêmios FEMSA – COCA COLA em sua edição 2009, além de ter sido indicada para outras cinco categorias, incluindo melhor espetáculo infantil com “Esperando Gordô”. 

– Melhor Sonoplastia para Marcelo Gianini em Esperando Gordô

– Autor Revelação para Ivan Ribeiro em A Incrível Batalha pelo Tesouro de Laduê!!

 

CRÍTICAS

Esperando Gordô tem humor físico e inteligente (…) Técnica se alia a muita leveza num programão para toda a família ”

(Crítico Dib Carneiro – Jornal Estado de São Paulo – março 2009)

“O toque absurdo baseado em Esperando Godot, um dos mais famosos textos do irlandês Samuel Beckett (1906-1989), ganha a simpatia das crianças. Brincadeiras com comida, piadas ingênuas e gags circenses garantem boas risadas.”

(Crítica Helena Galante – Revista Veja SP – abril 2009)

“Esperar pode ser algo bem chato, mas é motivo de riso no espetáculo Esperando Gordô.”

(Gabriela Romeu – Jornal Folha de São Paulo – abril 2009)

“O espetáculo proporciona às crianças olhar-se nas atitudes dos personagens e rir do incômodo e das reações que uma espera pode provocar.”

(Revista Época São Paulo – abril 2009)


25/11/2014 – Jornal de Piracicaba

Otelo e a Loira de Veneza ou o Pancadão da Traição,

uma bela “mascatização” de um clássico.

por Alexandre Mate

Pela segunda vez, durante a 9ª edição do Fentepira, a praça José Bonifácio foi palco de mais um espetáculo selecionado para a rua. Trata-se da obra Otelo, o Mouro de Veneza, de William Shakespeare que, pelo trabalho inventivo dos integrantes da Cia. Lona de Retalhos, de Santo André (SP), transformou-se no hilariante Otelo e a Loira de Veneza ou o Pancadão da Traição.

Como tradição no teatro popular, a obra original deslocou-se de seu locus (local) original, Chipre, para a praça piracicabana que, por todos os indicadores, parecia ficar no Rio de Janeiro. Essa transposição quanto à geografia se deve pelo fato de o “pancadão” na obra referir-se ao funk carioca.

Desse modo, atento aos sinais da cidade (sinos da igreja, sobretudo), os cinco e jovens integrantes da companhia: Carina Prestupa, Thaís Póvoa, Enrique Auê, Ícaro Rodrigues e Milena Bochi, dominam seu fazer, como bons artistas de teatro de rua, e ocupam não apenas a praça, mas principalmente espraiam sua alegria a todos os presentes e passantes, durante o tempo da obra.

A novidade do grupo, quanto à obra original, escrita por volta de 1603, foi criar uma encenação em que as personagens do grupo eram mascates. De certo modo, portanto, a obra transita com uma representação em meio a outra (metateatralidade).

Do árabe el matrac, em tese, o vocábulo serve para designar o sujeito que vende mercadorias fora de seus lugares de produção. É disso que se trata, Otelo conquista a loura Desde-“mona” (gíria cujo sentido se liga à designação meio pejorativa de homossexual), que no espetáculo da Lona de Retalhos é representada por uma manequim partida ao meio.

Os intérpretes, a partir de texto muito interessante e irreverente de Márcio Castro, desenvolve um jogo excelente entre si e o público. A partir de um prólogo longo, em que os mascates apontam sua necessidade de viver (e de vender), a trama do original, se mantem irreverentemente.

Como Otelo é mouro, seu tom de pele, evidentemente — e desde aquele momento —, não é aceito pelos venezianos, mas ele é tolerado pelo seu comando e bravura como comandante em chefe em guerra vencida pelos venezianos.

Pela “particularidade”, em plagas brasileiras onde o preconceito de cor “já foi vencido”, e no sentido de controlar as palavras indevidas, os politicamente incorretos são sinalizados por intermédio de uma sirena instalada em uma das barracas (duas para vendas de produtos diversos e uma traquitana-palco), a servir de cenário.

Por voraz apetite crítico e antropofagia popular, o tratamento da obra é rigorosamente paródico: uma espécie de vitrina-encenação, é apresentada pelos mascates, que, de tempos em tempos, vendem suas mercadorias (lenços no espetáculo).

Algumas cenas são geniais, dentre elas, a mais interessante apresenta Otelo, que na encenação assemelha-se, desde seu nascimento, ao (anti)herói Macunaíma, desistindo de estrangular Desdêmona.

Como o show não pode parar, em seu lugar são chamados atores europeus, mas cuja interpretação continua a ser popular. Grande momento de criação e de sintonia com o público.

O tempo estava nublado naquela manhã de sábado. Exatamente, com o término do espetáculo e dos sinos marcando o meiodia, uma tímida chuva começa a cair. É como se ela (a chuva) ao perceber tanta alegria na praça tivesse esperado pelo final da bela obra.

* Otelo e a Loira de Veneza foi apresentado no sábado, dentro da mostra oficial do 9º Fentepira.

Alexandre Mate é Doutor em história social pela USP e professor do Instituto de Artes da Unesp (São Paulo); integra a comissão debatedora do 9º Fentepira.


 

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